Nem pudeste falar-me. Uma palavra que fosse.
Nem uma pergunta, uma resposta.
Nada.
Permanece vã, a significante existência do bater do teu coração,
permanece vã, a minha existência. De um salto voámos, de um voo morremos.
Morri, eu.
Mas de mortes está a vida cheia,
um só grãozinho de negro sou eu - nesta vida toda.
Quase que me falaste. Quase que me pudeste falar. Uma pergunta, uma resposta.
Tudo.
E quase que disseste tudo assim, repentinamente,
de uma vez só.
Cuspiste o que tinhas para dizer. Mas isso foi há muito tempo, quando eu tinha o dom
de te encantar, ainda noite passeava os seus cabelos
pela tua pele.
Nunca senti ciúme da noite. Por mim, poderia tocar-te tanto quanto desejasse,
não tinha ciúmes.
Porque tudo o que é luz, é noite - e a toda a noite eras tu.